
Daí um dia você acorda e descobre que está sozinho.
Descobre que todos se foram,
e que todas as coisas (que não se pode tocar) desapareceram.
Não há mais amigos, mãe, pai, irmão.
Não há mais avós, tios, afilhados.
Não há nada mais.
Daí você descobre que tudo não passou de uma brincadeira de mau gosto.
Tudo o que é intenso, tende a evaporar.
E essa lição você já deveria ter aprendido.
E lágrimas. E amor. E amizade. E lealdade. E culpa.
Tudo isso tem um dedo de burrice.
O pessimista vai blasfemar, espernear, gritar, tomar anti-depressivos, gritar, blasfemar mais um pouco, tomar anti-depressivos com alguma bebida alcoólica, fazer alguma besteira, gritar, ligar para as pessoas, blasfemar novamente, parar de tomar anti-depressivos e domir por três dias seguidos.
O otimista vai fuçar na velha caixa de fotografias, sorrir e pensar: “valeu a pena”.
Daí vem a pergunta que todos tememos,
Tememos porque, por maior que seja o ocorrido,
alguém sempre será indiferente em relação à ele.
- E daí? - pergunta.
Para esta pergunta não há resposta.
Texto e ilustração: Jeff Santanielo.


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